Cinco brasileiros seguem na briga do título no J-Bay Open da África do Sul

By WSL South America | 13 de julho de 2015 | noticias

Ventos fortes e ondas pequenas impediram a continuação do J-Bay Open no sábado e domingo, mas na segunda-feira o mar reagiu e os melhores surfistas do mundo voltaram a competir em longas direitas de 3-6 pés em Supertubes. Dos nove brasileiros que disputaram a segunda fase, seis venceram suas baterias, com Adriano de Souza e Filipe Toledo seguindo na briga direta pelo posto de número 1 do Jeep Leaderboard na África do Sul. Bom para eles que dois concorrentes pela ponta nesta sexta etapa do Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour em Jeffreys Bay foram eliminados, os australianos Owen Wright e Taj Burrow, barrado pelo catarinense Alejo Muniz nos primeiros duelos do dia.

Adriano de Souza abrindo a segunda-feira com vitória em Jeffreys Bay (Foto: Kelly Cestari – WSL)
Adriano de Souza abrindo a segunda-feira com vitória em Jeffreys Bay (Foto: Kelly Cestari – WSL)

Para aproveitar as boas condições do mar, a terceira fase já foi iniciada com as quatro primeiras baterias fechando a segunda-feira na África do Sul. Dos seis classificados do Brasil, o único que competiu foi o potiguar Italo Ferreira. Depois de despachar o havaiano Dusty Payne na segunda fase, o número 8 do ranking acabou batido pelo australiano Kai Otton, que já havia derrotado o outro surfista do Rio Grande do Norte na elite dos top-34 da World Surf League, Jadson André. Os outros cinco brasileiros estão nas baterias que ficaram para abrir a terça-feira em Jeffreys Bay, com a primeira chamada para o duelo do campeão mundial Joel Parkinson com o paulista Wiggolly Dantas marcada para as 7h30 na África do Sul, 2h30 da madrugada pelo fuso horário de Brasília.

Na disputa seguinte, Adriano de Souza entra com sua lycra amarela do Jeep Leaderboard para defender a liderança do ranking contra o norte-americano Dane Reynolds na sexta bateria. Na oitava, o campeão mundial Gabriel Medina continua na busca por um bom resultado contra o australiano Matt Wilkinson. E um duelo verde-amarelo, entre o paulista Filipe Toledo e o catarinense Alejo Muniz, vai fechar a terceira rodada do J-Bay Open. Só um deles poderá avançar e quem perder termina em 13.o lugar somando 1.750 pontos no ranking. Filipe está na briga direta pela liderança do ranking numa disputa fase a fase com Adriano de Souza.

Mineirinho abriu a segunda-feira e só confirmou a vitória sobre o sul-africano Slade Prestwich com as ondas que surfou nos minutos finais da bateria. Ele teve paciência para aguardar por uma boa onda e depois usou a experiência para pegar uma intermediária quando voltava para o outside, que acabou garantindo a pequena vantagem no placar encerrado em 14,33 a 13,04 pontos. Na primeira, Adriano conseguiu aplicar uma série de manobras numa longa direita para arrancar a maior nota do confronto, 8,33. Depois, numa onda mais curta, ganhou nota 6,00 para trocar pelo 5,33 que estava computando.

“O Slade (Prestwich) é um grande surfista, conhece bem as ondas aqui e eu já sabia que a bateria ia ser difícil”, disse Adriano de Souza. “Ele mostrou isso logo na sua primeira onda, mas eu só precisava de uma onda consistente para vencer e esperei por ela até o fim. Confesso que fiquei um pouco preocupado porque não estavam entrando muitas ondas boas, mas ela apareceu e eu fui capaz de surfar bem para conseguir a nota que precisava. O problema é que a água está muito fria, meus pés congelaram e nem sentia eles direito, mas consegui vencer e espero que o mar esquente um pouco nas próximas baterias porque está complicado”.

Depois de Mineirinho, foi a vez de Filipe Toledo também despachar o outro convidado da África do Sul no J-Bay Open, Michael February. Foi uma bateria de poucas ondas, com grandes intervalos entre as séries, mas o brasileiro começou bem com nota 8,0 e depois só surfou mais uma que valeu nota 4,0 para confirmar a vitória por 12,00 a 8,00 pontos no placar mais baixo do dia. O sul-africano entrou na última hora para substituir o australiano Matt Banting, que contundiu o joelho enquanto treinava antes do campeonato começar em Jeffreys Bay.

Filipe Toledo (Foto: Kirstin Scholtz – WSL)
Filipe Toledo (Foto: Kirstin Scholtz – WSL)

É muito difícil pra mim disputar a segunda fase e eu estava um pouco nervoso, com certeza, porque o Michael (February) conhece essa onda muito bem”,destacou Filipe Toledo. “É muito difícil também você vir de Fiji, onde é muito quente, com esquerdas, para aqui na África, onde é tudo diferente, um pico só de direitas, muito frio, vento e água gelada. Então, por tudo isso, estou muito feliz por ter conseguido passar para a terceira fase e espero avançar mais ainda para continuar brigando pelas primeiras posições no ranking”.

CONCORRENTE ELIMINADO – No terceiro duelo do dia, o número 3 do Jeep Leaderboard, Owen Wright, confirmou o favoritismo contra o brasileiro Tomas Hermes. Mas, na disputa seguinte, o também catarinense Alejo Muniz surfou de forma incrível, manobrando forte nas ondas para despachar o sexto do ranking, Taj Burrow, por 18,13 de 20 possíveis. Nas duas melhores apresentações, Alejo recebeu notas 8,83 e 9,30, contra 8,33 e 7,50 do australiano que tinha chances matemáticas de brigar pela ponta do ranking na África do Sul.

“O Taj Burrow sempre foi um dos meus surfistas favoritos e observo seu estilo de surfar desde que eu era garotinho”, confessou Alejo Muniz, que fez parte da elite dos top-34 até perder a vaga no ano passado, mas já garantiu seu retorno com a vitória no QS 10000 Ballito Pro que antecedeu ao J-Bay Open lá mesmo na África do Sul. “Vencer um grande evento como o Ballito Pro me deu muita confiança e estou realmente focado em conseguir um bom resultado aqui em Jeffreys Bay. Eu me sinto mais relaxado depois de garantir minha vaga para o CT do ano que vem, então a partir de agora só quero tentar surfar o melhor possível nas baterias”.

CAMPEÃO MUNDIAL – Ainda pela segunda fase que abriu a segunda-feira, o potiguar Italo Ferreira eliminou o havaiano Dusty Payne por uma pequena diferença de 15,96 a 15,16 pontos e no duelo seguinte o campeão mundial Gabriel Medina vingou a derrota sofrida para o irlandês Glenn Hall quando defendia o título da primeira etapa da temporada na Gold Coast, Austrália. Medina ocupa uma incômoda vigésima posição no ranking que mantém apenas os 22 primeiros colocados na elite dos top-34 que vai disputar a divisão principal da World Surf League no ano que vem. Ele precisa de ótimos resultados para subir na tabela de classificação.

“Estou muito feliz porque felizmente deu boas ondas na minha bateria e eu pude surfar bem para vencer”, disse Gabriel Medina. “Eu tentei ficar relaxado e apenas fazer o meu melhor nas ondas que peguei. A bateria foi boa, mas tem sido difícil pra mim achar a prancha certa para esta condição de mar que é muita complicada, porque varia bastante a cada momento. Além disso, está muito frio aqui e eu tenho sempre que acordar muito cedo para treinar antes da primeira chamada do dia. Eu tenho trabalhado duro para conseguir bons resultados e estou feliz por ter passado para a terceira fase hoje (segunda-feira) aqui”.

Gabriel Medina (Foto: Kelly Cestari – WSL)
Gabriel Medina (Foto: Kelly Cestari – WSL)

MELHOR BATERIA DO DIA – Depois dessa bateria, o também campeão mundial Joel Parkinson e o neozelandês Ricardo Christie fizeram o duelo mais eletrizante da segunda-feira em Supertubes. Os dois foram os primeiros a ultrapassar a barreira dos 18 pontos depois do brasileiro Alejo Muniz. O australiano usou a força das pernas para fazer grandes manobras nas longas direitas de Jeffreys Bay e computou notas 9,77 e 9,07 para vencer por incríveis 18,84 a 18,13 pontos, das notas 9,70 e 8,43 do único representante da Nova Zelândia no grupo dos 34 melhores surfistas do mundo.

Outro confronto emocionante aconteceu duas baterias depois, com o australiano Kai Otton levando a melhor sobre o potiguar Jadson André também por uma pequena vantagem de 18,10 a 17,07 pontos. As duas melhores apresentações do australiano valeram notas 9,33 e 8,77, contra 9,07 e 8,00 do brasileiro. Depois, Kai Otton ainda eliminou o outro potiguar da “seleção brasileira” do WCT, Italo Ferreira, no segundo combate da terceira fase, por 15,50 a 12,83 pontos.

DUELOS BRASILEIROS – Quem também chegou perto da barreira dos 18 pontos foi Wiggolly Dantas no duelo brasileiro da segunda fase contra o também paulista Miguel Pupo. Guigui venceu por 17,77 a 15,23 pontos, deixando Miguel empatado em 25.o lugar com Jadson André e Tomas Hermes, com cada um marcando apenas 500 pontos no ranking e recebendo 9.000 dólares pela participação no J-Bay Open. Outra bateria verde-amarela vai acontecer no encerramento da terceira fase, entre o paulista Filipe Toledo e o catarinense Alejo Muniz.

O J-Bay Open está sendo transmitido ao vivo pelo www.worldsurfleague.com e também pela Fox Sports para a Austrália, pela MCS Extreme para a França, EDGE Sports para a China, Coréia do Sul, Malásia e outros territórios e no Brasil terá cobertura especial da TV Globo e dos canais ESPN. O link também pode ser acessado clicando-se no banner do evento na capa do www.wslsouthamerica.com e a primeira chamada da terça-feira está marcada para as 7h30 em Jeffreys Bay, 2h30 da madrugada pelo fuso horário de Brasília.

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João Carvalho – WSL South America Media Manager – jcarvalho@worldsurfleague.com

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TERCEIRA FASE DO J-BAY OPEN – Vitória=Quarta Fase / Derrota=13.o lugar com 1.750 pontos e US$ 10.000:

1.a: Adrian Buchan (AUS) 15.50 x 15.40 Owen Wright (AUS)

2.a: Kai Otton (AUS) 15.50 x 12.83 Italo Ferreira (BRA)

3.a: Julian Wilson (AUS) 17.94 x 8.40 Fredrick Patacchia (HAV)

4.a: Nat Young (EUA) 16.87 x 8.03 Adam Melling (AUS)

————-baterias que vão abrir a terça-feira:

5.a: Joel Parkinson (AUS) x Wiggolly Dantas (BRA)

6.a: Adriano de Souza (BRA) x Dane Reynolds (EUA)

7.a: Mick Fanning (AUS) x C. J. Hobgood (EUA)

8.a: Gabriel Medina (BRA) x Matt Wilkinson (AUS)

9.a: Kelly Slater (EUA) x Kolohe Andino (EUA)

10: Josh Kerr (AUS) x Keanu Asing (HAV)

11: Bede Durbidge (AUS) x Michel Bourez (TAH)

12: Filipe Toledo (BRA) x Alejo Muniz (BRA)

SEGUNDA FASE – Vitória=Terceira Fase / Derrota=25.o lugar com 500 pontos e US$ 9.000:

1.a: Adriano de Souza (BRA) 14.33 x 13.04 Slade Prestwich (AFR)

2.a: Filipe Toledo (BRA) 12.00 x 8.00 Michael February (AFR)

3.a: Owen Wright (AUS) 16.17 x 13.77 Tomas Hermes (BRA)

4.a: Alejo Muniz (BRA) 18.13 x 15.83 Taj Burrow (AUS)

5.a: Nat Young (EUA) 17.10 x 12.10 Brett Simpson (EUA)

6.a: Italo Ferreira (BRA) 15.96 x 15.16 Dusty Payne (HAV)

7.a: Gabriel Medina (BRA) 16.00 x 10.44 Glenn Hall (IRL)

8.a: Joel Parkinson (AUS) 18.84 x 18.13 Ricardo Christie (NZL)

9.a: Adam Melling (AUS) 14.90 x 8.03 Jordy Smith (AFR)

10: Kai Otton (AUS) 18.10 x 17.07 Jadson André (BRA)

11: Wiggolly Dantas (BRA) 17.77 x 15.23 Miguel Pupo (BRA)

12: Matt Wilkinson (AUS) 14.80 x 13.93 Sebastian Zietz (HAV)

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